Você queria tanto passear pelos detalhes, passear na solidez que um acontecimento elabora, na segurança oferecida, que esqueceu de ler nas entrelinhas, esqueceu que as lacunas da minha história continuavam em você.
quinta-feira, 22 de abril de 2010
"Qualquer narrativa de ficção é necessária e fatalmente rápida porque, ao construir um mundo que inclui uma multiplicidade de acontecimentos e de personagens, não pode dizer tudo sobre esse mundo. Alude a ele e pede ao leitor que preencha toda uma série de lacunas. Afinal, todo texto é uma máquina preguiçosa pedindo ao leitor que faça uma parte do seu trabalho. que problema teria se um texto tivesse de dizer tudo que o receptor deve compreender - não terminaria nunca." (Umberto eco)
terça-feira, 20 de abril de 2010
I've been lying around in bed all day not sure weather I should get up. Sleeping has a way of tricking time you know? I cheated myself into the future believing somehow the absence from the present would prevent me from feeling the unbearable pain of being alive. In the process of having the most terrible and the sweetest dreams to waking up I lost sense of reality, not knowing what was really worst; waking up from my nightmare into the nightmare of reality, or waking up tortured by the fantasy I still had what I lost. Overcoming, it costs too much, it costs getting over. Letting go.
quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
new years eve.
daí hoje eu sonhei que a lua estava cheia e de repente explodia.

era até bonito, lembrava fogos de artifício e a virada de ano novo, mas era como se cada pedacinho da lua caísse sobre a terra como pequenas estrelas cadentes invadindo atmosfera, que se explodiam como cometas causando estragos e destruição.
eu tentei correr e me proteger, mas saí ferido, e a terra era de uma noite escura e os limites se quebravam dando espaço para um negro infinito.
daí eu acordei nesse ano novo de lua cheia, e olhei o horóscopo; sentimentos, lua cheia, crises, ânimos exaltados, uma profundidade densa... e a explosão.
o fim.

era até bonito, lembrava fogos de artifício e a virada de ano novo, mas era como se cada pedacinho da lua caísse sobre a terra como pequenas estrelas cadentes invadindo atmosfera, que se explodiam como cometas causando estragos e destruição.
eu tentei correr e me proteger, mas saí ferido, e a terra era de uma noite escura e os limites se quebravam dando espaço para um negro infinito.
daí eu acordei nesse ano novo de lua cheia, e olhei o horóscopo; sentimentos, lua cheia, crises, ânimos exaltados, uma profundidade densa... e a explosão.
o fim.
domingo, 15 de novembro de 2009
Mistério sempre há de surgir por aí
A vida tem dessas coisas de nos passar a perna e levar na queda todos os nossos sonhos e esperanças. É que tem sonhos e esperanças que já não cabem mais na caminhada, eles já não fazem juz ao presente, e temos a responsalibidade de nos reedificar. Se olhar no espelho mesmo, desvendar um olhar, fazer terapia, se perder, chorar, até arrancar a casquinha da ferida de vez em quando.
Não tem problema não, o futuro nunca deixa de vir. Nem a dor, nem a cura.
A vida é mesmo uma coleção de belas cicatrizes.
Não tem problema não, o futuro nunca deixa de vir. Nem a dor, nem a cura.
A vida é mesmo uma coleção de belas cicatrizes.
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
Pelo fim do pretérito
Maldita seja a alma torturada que inventou o tempo do pretérito; o pretérito do imperfeito, o mais-que-perfeito e pior ainda, o futuro do pretérito. Aquele que jamais vai acontecer. Esses modos todos não deveriam existir, pois tudo, absolutamente tudo é levado pelo tempo, e só nele existem. Eu proclamo e decreto morte ao que, pra começar nunca aconteceu.
Foda-se o se e o modo subjuntivo.
Você me amava, me amara um dia, poderíamos tentar ser felizes juntos se você ainda me amasse.
Foda-se o se e o modo subjuntivo.
Você me amava, me amara um dia, poderíamos tentar ser felizes juntos se você ainda me amasse.
sábado, 22 de agosto de 2009
Are you sleeping?
Still dreaming?
Still drifting off alone...
I'm not leaving with this feeling
So you'd better best be told
And how in the world did you come
To be such a lazy love?
It's so simple, and fitting
The path that you are on
We're not talking, there's no secrets
There's just a note that you have gone
And all that you've ever owned
Is packed in the hall to go
And how am I supposed to live without you?
A wrong word said in anger and you were gone
I'm not listening for signals It's all dust now on the shelf
Are you still working? Still counting?
Still buried in yourself?
And how in the world did we come
To have such an absent love?
And how am I supposed to live without you?
A wrong word said in anger and you were gone
And how am I supposed to live without anyone?
And how in the world did you come
To be such a lazy love?
And where did you go?
Still dreaming?
Still drifting off alone...
I'm not leaving with this feeling
So you'd better best be told
And how in the world did you come
To be such a lazy love?
It's so simple, and fitting
The path that you are on
We're not talking, there's no secrets
There's just a note that you have gone
And all that you've ever owned
Is packed in the hall to go
And how am I supposed to live without you?
A wrong word said in anger and you were gone
I'm not listening for signals It's all dust now on the shelf
Are you still working? Still counting?
Still buried in yourself?
And how in the world did we come
To have such an absent love?
And how am I supposed to live without you?
A wrong word said in anger and you were gone
And how am I supposed to live without anyone?
And how in the world did you come
To be such a lazy love?
And where did you go?
sexta-feira, 7 de agosto de 2009
Ensaio sobre o sentimento indizível
Início aqui a tentativa frustrada não de explicar, mas de construir um anti-discurso sobre o amor, em palavras livres dos domínios sólidos dos significados, pois sentir é quase sempre impassível de sentido. Já dizia Barthes, amar o outro é percebê-lo como um todo, ora, aceitar o outro inteiramente é admitir que este é completo.
Ao mesmo tempo em que somos generosos ao amar o outro inteiramente, e ao fazê-lo transcendemos-nos a nós mesmos e diluímos-nos (como as pequenas moléculas que tudo compõem) para atingir uma universalidade e tornarmos-nos inteiros, somos contraditoriamente egoístas ao negar ao outro que algo lhe falta. Ao amar inteiramente, negamos a este sua individualidade, o amor beira a união dos opostos; a plenitude é invariavelmente excludente, fragmentável.
Em respeito ao sentimento indizível (que chamamos de amor) eu deveria calar, mas essa tentativa de falar é ainda uma equivoca, mas honesta maneira de atingir o silêncio esclarecedor. “O próprio do desejo só pode produzir um impróprio do enunciado.”[1]
(Não) É inútil falar de amor.
Trechos de um devaneio incompleto.
[1] BARTHES, Roland. fragmentos de um discurso amoroso. Página 12.
Ao mesmo tempo em que somos generosos ao amar o outro inteiramente, e ao fazê-lo transcendemos-nos a nós mesmos e diluímos-nos (como as pequenas moléculas que tudo compõem) para atingir uma universalidade e tornarmos-nos inteiros, somos contraditoriamente egoístas ao negar ao outro que algo lhe falta. Ao amar inteiramente, negamos a este sua individualidade, o amor beira a união dos opostos; a plenitude é invariavelmente excludente, fragmentável.
Em respeito ao sentimento indizível (que chamamos de amor) eu deveria calar, mas essa tentativa de falar é ainda uma equivoca, mas honesta maneira de atingir o silêncio esclarecedor. “O próprio do desejo só pode produzir um impróprio do enunciado.”[1]
(Não) É inútil falar de amor.
Trechos de um devaneio incompleto.
[1] BARTHES, Roland. fragmentos de um discurso amoroso. Página 12.
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