domingo, 15 de novembro de 2009

Mistério sempre há de surgir por aí

A vida tem dessas coisas de nos passar a perna e levar na queda todos os nossos sonhos e esperanças. É que tem sonhos e esperanças que já não cabem mais na caminhada, eles já não fazem juz ao presente, e temos a responsalibidade de nos reedificar. Se olhar no espelho mesmo, desvendar um olhar, fazer terapia, se perder, chorar, até arrancar a casquinha da ferida de vez em quando.

Não tem problema não, o futuro nunca deixa de vir. Nem a dor, nem a cura.



A vida é mesmo uma coleção de belas cicatrizes.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Pelo fim do pretérito

Maldita seja a alma torturada que inventou o tempo do pretérito; o pretérito do imperfeito, o mais-que-perfeito e pior ainda, o futuro do pretérito. Aquele que jamais vai acontecer. Esses modos todos não deveriam existir, pois tudo, absolutamente tudo é levado pelo tempo, e só nele existem. Eu proclamo e decreto morte ao que, pra começar nunca aconteceu.

Foda-se o se e o modo subjuntivo.


Você me amava, me amara um dia, poderíamos tentar ser felizes juntos se você ainda me amasse.



There's no such thing as going back in time.
"Shit."

sábado, 22 de agosto de 2009

Are you sleeping?
Still dreaming?
Still drifting off alone...
I'm not leaving with this feeling
So you'd better best be told
And how in the world did you come
To be such a lazy love?

It's so simple, and fitting
The path that you are on
We're not talking, there's no secrets
There's just a note that you have gone
And all that you've ever owned
Is packed in the hall to go

And how am I supposed to live without you?
A wrong word said in anger and you were gone
I'm not listening for signals It's all dust now on the shelf
Are you still working? Still counting?
Still buried in yourself?
And how in the world did we come
To have such an absent love?

And how am I supposed to live without you?
A wrong word said in anger and you were gone
And how am I supposed to live without anyone?

And how in the world did you come
To be such a lazy love?
And where did you go?

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Ensaio sobre o sentimento indizível

Início aqui a tentativa frustrada não de explicar, mas de construir um anti-discurso sobre o amor, em palavras livres dos domínios sólidos dos significados, pois sentir é quase sempre impassível de sentido. Já dizia Barthes, amar o outro é percebê-lo como um todo, ora, aceitar o outro inteiramente é admitir que este é completo.

Ao mesmo tempo em que somos generosos ao amar o outro inteiramente, e ao fazê-lo transcendemos-nos a nós mesmos e diluímos-nos (como as pequenas moléculas que tudo compõem) para atingir uma universalidade e tornarmos-nos inteiros, somos contraditoriamente egoístas ao negar ao outro que algo lhe falta. Ao amar inteiramente, negamos a este sua individualidade, o amor beira a união dos opostos; a plenitude é invariavelmente excludente, fragmentável.

Em respeito ao sentimento indizível (que chamamos de amor) eu deveria calar, mas essa tentativa de falar é ainda uma equivoca, mas honesta maneira de atingir o silêncio esclarecedor. “O próprio do desejo só pode produzir um impróprio do enunciado.”[1]

(Não) É inútil falar de amor.


Trechos de um devaneio incompleto.

[1] BARTHES, Roland. fragmentos de um discurso amoroso. Página 12.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

the heart of other people

we could talk about isolation, we could talk about buiding bridges, we could use words to describe feelings or we could not talk at all.

"I believe that truth has only one face: that of a violent contradiction."

(Bataille)



therefore i shut up.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

we are not alone.

Palavras podem ser ordinárias, mas o sentimento é nobre. Por isso geralmente rectifico o silêncio, mas proferir se faz necessário. Somos também unidos pelos clichês. Atribuir sentido, assimilar sensações, dividir... dividir não, compartilhar. Criar pontes. Escrever, falar, significa não desistir jamais, apesar da impossibilidade. Somos também unidos pela impossibilidade.


o escuro apaga
nossos contornos
o preto nos une
em um padrão
de vazio e de
infinito

o nada
nos preenche
o silêncio nos é
comum
e para unir-me a ti
agora me calo

quarta-feira, 17 de junho de 2009

The shadow of our past projects on clouds of dust and gas
The ones where my eyes will rest a silhouette of lonelinessI
f you see these tears fill in my eyes
It's just the wind that makes me cry
If you could feel this pain inside
It's from the drinks we drank last night